segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Análise e Avaliação de Recursos Educativos online

Chegamos a uma encruzilhada e o próximo passo a dar é escolher o caminho mais acertado, assim, é essencial encarnar Ebenezer Scrooge e realizar uma reflexão dickensiana sobre o nosso passado, presente e futuro. Como tem sido o ensino em Portugal, até onde foi, onde estagnou e por onde deve prosseguir.
Um dos maiores problemas do ser humano é o medo, o temor do desconhecido, todos preferem o conforto do estabelecido, a agradável rotina sem surpresas ou sustos, e esta forma de vida vai de encontro a todas as áreas, seja em termos pessoais ou profissionais, seja para um professor, um motorista ou um carpinteiro. Evolução sim, mas substancialmente controlada, com passinhos de criança, testando cada passo para não cair no precipício hiperbólico que reside nas nossas mentes. Com este comportamento de suprema aspiração à segurança e ao pré-estabelecido no tradicionalismo vigente, todos parecem querer dizer: Evolução não!



Pois bem, o factor crucial é perceber que nos dias de hoje a diversidade de instrumentos, de ferramentas e de recursos de aprendizagem caracterizam-se de forma substantiva pela imensidão, mais além que a evolução, ou seja, na actualidade a oferta educativa e tecnológica é grande. No entanto há que analisar criticamente, e sob variadíssimos aspectos, o que essa imensidão de oferta nos traz. Muitas vezes abusa-se da utilização de recursos educativos disponíveis na Web, apenas porque poupam o esforço da criação pessoal e protegem do extenuante e doloroso trabalho, mas na outra face da moeda existe a negligência e a leviandade na forma como se trabalham e avaliam os mesmos. Daí que, como em todas as situações da vida, há que parar e efectuar uma análise maturada e equilibrada, e quando se fala de recursos educativos a exigência de análise deve ser incansável, pois enquanto formadores/professores temos nas mãos o testemunho do saber, a chama olímpica (não roubamos o fogo para o dar aos mortais tal Prometeu Agrilhoado, mas criamos e recriamos a sabedoria e transmitimo-la aos nossos semelhantes) que devemos passar sem egoísmos, livres da sintomatologia da possessão, e esse testemunho deve ser claro, coerente e confiável, pois irá por sua vez passar de mão em mão, quase como símbolo tradicional de transmissão de conhecimentos. 
Pelo exposto deve realizar-se uma avaliação dos recursos a utilizar que passará por alguns critérios sólidos e que se ajustam ao nosso objectivo. Devemos sempre recordar que somos criteriosos na escolha de um manual escolar, mesmo que tenha sido elaborado por uma equipa de peritos na área e, apesar da confiança numa determinada editora, ou mesmo nos autores, temos  sempre uma atitude selectiva e analítica, enquadrando a nossa escolha no nosso contexto e nos nossos objectivos. Assim sendo, mais exigentes teremos de ser na análise de um recurso on-line, porque todos podem falhar, está na genética humana, independentemente da habilitação profissional de cada um.



Quando se trabalha com recursos educativos um dos passos a dar é avaliar o seu conteúdo, verificar se este é actual, se está conforme com a época, sem desfasamentos temporais, e é preciso, sem erros gramaticais ou factuais. Para além destes factores deve ir de encontro às necessidades do aluno, enquanto objectivos a atingir, estar de acordo com o seu nível etário, assim como com níveis de dificuldade relativamente ao público-alvo e ao seu meio envolvente. Ou seja, qualquer educador/professor deve interiorizar as diferenças entre os seus alunos e ter em consideração a teoria da inteligência múltipla, ou seja, seguir o que Driscoll afirma no livro Psychology of Learning for Instruction, que o desenvolvimento cognitivo provem de, pelo menos, sete domínios autónomos, linguagem, música, raciocínio matemático lógico, processamento espacial, actividade corporal cinestésica, conhecimento interpessoal e intrapessoal, e estes compõem a soma da própria inteligência, daí que tem de se aceitar e interiorizar que os alunos têm graus diferentes e aprendem de formas diferentes.
Outro aspecto a avaliar serão os próprios objectivos do recurso e se o mesmo possui afirmações claras e não ambíguas, se a informação se encontra acessível e possui a flexibilidade suficiente para se adaptar a diversas formas de ensino, encorajando a reflexão, promovendo a autonomia e o pensamento crítico, assim como as competências de comunicação e de interacção. Outro ponto a focar relaciona-se com a estrutura e organização dos materiais, a sua unidade e congruência, com a implícita necessidade de verificar se os conceitos que surgem são elucidativos, se os assuntos são variados, o vocabulário apropriado, se a pedagogia é inovadora e se existem actividades introdutórias ao tema e concretos instrumentos de avaliação.
Também as questões técnicas devem ser analisadas, segundo Otto Peters, no livro Didáctica do Ensino à Distância, a possibilidade de aprender também com o auxílio de imagens animadas é importante porque as pessoas, de uma forma geral, estão acostumadas desde a infância/juventude a assimilarem as informações pela televisão e que, por essa razão, já desenvolveram o hábito visual. Assim sendo todo o suporte visual é relevante, não deve ser tido como um elemento secundário, mas sim um complemento essencial, desde as ilustrações, ao tamanho das letras, ao layout, ao design visual.
Por outro lado, a juntar a todos os elementos supracitados, devem realizar-se considerações sociais, pois devemos aceitar a diferença que pauta o ser humano e a normal heterogeneidade vigente entre turmas e alunos, que passam pelas ideologias, crenças, raças e etnias, pois qualquer avaliação devidamente efectuada evitará maiores transtornos como a presença de elementos ofensivos, pois o recurso deve aceitar e adaptar-se ao multiculturalismo, devendo assumir, tal como Agostinho da Silva, que a educação não deve separar-se do mundo.
Posto isto, uma última etapa, de suprema relevância, seria a avaliação do recurso em contexto, que constituiria uma evidência final do processo de avaliação, que como Ramos refere, passaria por verificar que um determinado produto foi usado sob determinadas condições e apresentou potencialidades pedagógicas para determinado grupo-alvo e para alcançar determinados objectivos educativos. Ou que, como Ramos refere ainda, quando aquele produto for avaliado na sala de aula sê-lo-á respeitando todas as indicações de carácter ético e de carácter moral, respeitando o ritmo do currículo, respeitando os alunos, e respeitando aquilo que, evidentemente, é importantíssimo para nós, que é a integridade dos nossos alunos.
Em suma, nos dias que correm, numa rápida navegação pela web, descobrimos uma panóplia de websites repletos de recursos para todas as áreas do saber, e se a pesquisa for estendida a países como Brasil ou Estados Unidos da América, a diversidade será ainda maior. Aqui reside uma situação que tem tudo para nos encher de optimismo, pois prova que o trabalho do professor continua fora da aula e a paixão pela profissão faz com que crie e partilhe o seu trabalho, proporcionando recursos educativos a outros. O trabalho individual dos que lêem, será analisar, avaliar e seleccionar que melhores recursos servem os seus objectivos devidamente delineados e daí continuar o seu percurso porque "caminante no hay camino, se hace camino al andar", já dizia Machado.

Referências:


Driscoll, M.P. Psychology of learning for instruction. Boston, MA: Allyn & Bacon Publishers. 2005


PETERS, Otto. Didática do Ensino à distância: experiência e estágio da discussão numa visão internacional. Tradução: Ilson Kayser. S.Leopoldo: Editora UNISINOS. 2001


RAMOS, José Luís. Avaliação e Qualidade de Recursos Educativos Digitais. Cadernos SACAUSEF V. 2008 http://www.crie.min-edu.pt/files/@crie/1262962176_CadernosSACAUSEF_V_JLR_pag11a17_PT.pdf


SILVA, Agostinho da. Considerações e outros textos, Lisboa, Assírio & Alvim. 1989 


Reflexões sobre a importância de recursos educativos digitais para a inovação das práticas educativas na Escola

domingo, 18 de dezembro de 2011

Recursos Educativos Abertos



Actividade: Escolha de dois recursos educativos abertos 

Optei por selecionar um recurso em que não há necessidade de adaptação, pois o mesmo serve os fins e o público a que se destina, enquanto no outro terão de existir adaptações para que o recurso possa utilizar-se na disciplina de Português.



RECURSO I

Endereço: http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/11052

Nome do recurso: “Game” da Reforma Ortográfica


Introdução


A reforma ortográfica veio trazer alguns problemas de adaptação da população em geral, com particular incidência na escola, onde os alunos já avessos a aspetos gramaticais da língua portuguesa e à própria escrita e leitura são colocados perante o desafio de alterar um número considerável de regras de ortografia. Sendo necessária uma prévia explicitação das mudanças ocorridas na ortografia, a sua melhor consolidação de conhecimentos resultaria num jogo interativo, atraente aos jovens, sob o signo da motivação. Para além do exposto creio ser de maior eficácia na aprendizagem a utilização de um elemento multimédia pois, recordando os princípios de Mayer, a apreensão e a retenção na memória será mais facilitada.

"O ensino do Português desenrola-se hoje num cenário que apresenta diferenças substanciais, relativamente ao início dos anos 90 do século passado. Exemplo flagrante disso: a projeção, no processo de aprendizagem do idioma, das ferramentas e das linguagens facultadas pelas chamadas tecnologias da informação e da comunicação, estreitamente associadas a procedimentos de escrita e de leitura de textos eletrónicos e à disseminação da Internet e das comunicações em rede. Do mesmo modo, não foram poucos os testemunhos que sublinharam a necessidade de se acentuar, no ensino do Português, uma componente de reflexão expressa sobre a língua, sistematizada em processos de conhecimento explícito do seu funcionamento e da sua gramaticalidade, sem que isso se traduza necessariamente numa artificial e rígida visão prescritiva da nossa relação com o idioma." (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Programas de Português do Ensino Básico. Lisboa, 2008)





Critérios do Recurso:
- A informação apresentada é rigorosa;
- Vantagem na interatividade do mesmo;
- Uma ferramenta de aprendizagem original;
- A estrutura e a apresentação são apelativas;
- É um elemento de utilidade para consolidar a aprendizagem;
- Apela a uma memorização;
- Não necessita de muita largura de banda para ser executado.



Adaptações:
Embora exista, na introdução ao jogo, a explícita referência à adaptação, transformação e distribuição, já que a mesma possui uma licença Creative Commons, esta não seria levada a cabo. Os motivos prendem-se com o facto de o jogo cumprir os requisitos necessários para uma utilização contextualizada, para além da dificuldade nas alterações e adaptações num formato deste género.



Sequência de Aprendizagem



Objetivos:
- Conhecer as modificações e alterações trazidas pelo Novo Acordo Ortográfico de 1990;
- Desenvolver competências linguísticas, de modo a exercitar a prática na Nova Ortografia;
- Explorar a nova grafia das palavras conforme o Acordo Ortográfico de 1990;
- Testar conhecimentos previamente adquiridos;
- Descobrir regularidades no funcionamento da língua;
- Explicitar regras e procedimentos nos diferentes planos do conhecimento explícito da língua;  
- Reconhecer o português padrão como a norma que é preciso aprender e usar na escola e nas situações formais fora dela;
- Mobilizar o conhecimento aprendido para melhorar a proficiência linguística no modo oral e no modo escrito;
- Aplicar exercícios diversificados, com o intuito de exercitar as novas mudanças na grafia das palavras.

Exposição

- Breve notícia histórica sobre as reformas ortográficas da Língua Portuguesa até 1990;
- A atualidade e pertinência do Novo Acordo Ortográfico de 1990;
- Consciencialização de regras e alterações introduzidas pelo Acordo Ortográfico;
- Consciência da variação, reconhecimento da forma adotada em Portugal.

Consolidação

- Ficha de diagnóstico sobre as alterações do novo acordo ortográfico;
- Exercício de comparação entre textos para deteção de diferenças e sistematização de regras ortográficas;
- Exercício de reescrita de texto para tomada de decisão consciente sobre opções a tomar na escrita de palavras;
- Jogo da Reforma Ortográfica para treino de memorização da imagem gráfica das palavras e exposição aos erros. 

RECURSO II


Nome do recurso: Grandes Poetas


Introdução


O curso em questão serve como base para um desenvolvimento de um curso de características semelhantes, vocacionado para poetas portugueses. Assim sendo, este será um recurso de utilidade prática aquando das devidas transformações e adaptações.

Critérios:
- Estimula o espírito crítico e analítico;
- Tem uma organização e estrutura adequadas;
- Tem qualidade na informação;
- Possui rigor na informação;
- Permite uma auto-aprendizagem;
- Tem utilidade enquanto ferramenta de leitura e escrita;
- Facilita a construção de um percurso poético;
- Condensa os elementos essenciais da poesia;
- É facilitador na adaptação;
- Permite uma reflexão sobre períodos literários.


Adaptação:
O recurso escolhido serve apenas como base de desenvolvimento para um curso totalmente adaptado à nossa realidade. Assim sendo, um professor de língua inglesa pode adaptá-lo ao seu programa, mantendo a língua do mesmo. No meu caso será efetuada uma adaptação linguística, de forma a abarcar os alunos portugueses, assim como ao nível dos conteúdos, englobando autores de língua portuguesa, constantes no programa de Português do ensino secundário, e de acordo com a sua contextualização histórica e cronológica. Sendo esta apenas uma adaptação inicial e superficial, a mesma poderá, com mais tempo, sofrer novas adaptações e reutilizações consoante os interesses de cada professor e tendo em vista o público-alvo.


Sequência de Aprendizagem

Objectivos:
- Formar leitores reflexivos e autónomos que leiam na Escola, fora da Escola e em todo o seu percurso de vida, conscientes do papel da língua no acesso à informação e do seu valor no domínio da expressão estético-literária;
- Promover o conhecimento de obras/autores representativos da tradição literária, garantindo o acesso a um capital cultural comum;
- Assegurar o desenvolvimento do raciocínio verbal e da reflexão, através do conhecimento progressivo das potencialidades da língua;
- Contribuir para a formação do sujeito, promovendo valores de autonomia, de responsabilidade, de espírito crítico, através da participação em práticas de língua adequadas;
- Promover a educação para a cidadania, para a cultura e para o multiculturalismo, pela tomada de consciência da riqueza linguística que a língua portuguesa apresenta;
- Desenvolver o gosto pela leitura dos textos de literatura em língua portuguesa, como forma de descobrir a relevância da linguagem literária na exploração das potencialidades da língua e de ampliar o conhecimento do mundo.

Quadro de Conteúdos e tarefas 

Conteúdos
Tarefas
1
Introdução ao Tema – A Poesia
- Recursos Estilísticos;
- Aspetos formais;
- Aspetos temáticos.

2
A poesia portuguesa da Idade Média

Trabalho: Contextualização histórica; Análise de uma cantiga de D. Dinis
Cantigas de Amigo, de Amor, de Escárnio e Maldizer
D. Dinis
3
A poesia do Renascimento

Análise de dois sonetos de Camões, de cada corrente
Sá de Miranda
Luís de Camões “A Lírica”
A corrente tradicional e a renascentista
4
A poesia Barroca

- Texto argumentativo em defesa da Arcádia Lusitana, integrando um papel de autor.

- Análise de um poema de Bocage
A Arcádia Lusitana
Correia Garção
Filinto Elísio
Bocage
5
A poesia do Romantismo

Texto crítico sobre o Romantismo;

Reflexão sobre a obra de Garrett em estudo
Almeida Garrett " Folhas Caídas" 
6
A poesia do Realismo

- Reflexão sobre o realismo/naturalismo português com paralelo na prosa;

- Análise dos aspetos relevantes e representativos do movimento na poesia de Cesário
Cesário Verde
7
O modernismo português

- Texto reflexivo sobre o Modernismo em Portugal
Fernando Pessoa Ortónimo e Heterónimos
Mário de Sá-Carneiro
8
A poesia do século XX
Relatório final:
- Súmula dos períodos literários em Portugal, com destaque de cada nome mais relevante.
- Escolha de dois poetas e análise da sua obra, ao nível formal e temático.
Florbela Espanca “Livro de Mágoas”
Sophia de Mello Breyner "Ilhas" 
Miguel Torga “Câmara ardente”
Jorge de Sena "Visão Perpétua" 
Eugénio de Andrade "As mãos e os frutos" 
Herberto Hélder "Poemacto" 




Referências:
Banco Internacional de Objetos Educacionais: http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/
Open Educational Resources: http://www.oercommons.org/
Direção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular: http://www.dgidc.min-edu.pt






segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Tema 2: Repositórios e outras fontes de REA

Tarefa: Pesquisa e partilha de 3 fontes / repositórios de REA online considerados de interesse, com breve fundamentação da escolha feita.

Os repositórios institucionais podem ser considerados como sistemas de informação que armazenam, preservam, gerem e disponibilizam o acesso à produção científica de uma instituição e/ou comunidades cientificas, por meio de provedores de serviços nacionais e internacionais.

SciELO Portugal

A Scielo é uma biblioteca virtual que inclui uma colecção seleccionada de periódicos científicos portugueses, permitindo o acesso aos textos integrais dos artigos.

Esta biblioteca é uma forma eficaz e imediata de pesquisa, pois as publicações periódicas são, muitas vezes, essenciais a colmatar lacunas numa investigação, ou um complemento indispensável a qualquer investigador de qualquer área do conhecimento.

A ScieLO possui uma licença CC-BY-NC que permite aos utilizadores aceder, distribuir, exibir e executar a obra, bem como criar obras derivadas, desde que confira o devido crédito autoral, da maneira especificada pelo periódico.

Repositório Aberto da Universidade do Porto

Reúne as colecções, em texto integral, da produção intelectual da Universidade do Porto. Pela sua caracterização representa um espaço importante de consulta para a investigação académica, nomeadamente na minha área de mestrado em Estudos Portugueses.

Repositório da Universidade de Lisboa

Um repositório que permite o acesso à produção intelectual da Universidade. Representa um espaço de eleição para o meu trabalho de investigação na área do Romanceiro Português, concernente ao Departamento de Letras.

Referências:

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Reflexão - Potencialidades e desafios dos Recursos Educacionais Abertos



Ao longo dos séculos assistimos à evolução da educação e vai já longe o controlo das massas através desta e o poder totalitário da igreja sobre a mesma. Não indo tão atrás no tempo, basta observar o fosso que existe entre a educação dos anos 70, cuja inovação foi a telescola que pretendia alargar as possibilidades de aprendizagem às zonas recônditas e rurais do país, e a educação de hoje em dia, do milénio da tecnologia.
Precisamente no início deste milénio começam a emergir os recursos educativos abertos disponíveis na Web. A designação Open Educational Resources  (OER) foi usada pela primeira vez durante um workshop da UNESCO em open courseware, em Julho de 2002, para designar a disponibilidade na Web de recursos educacionais abertos, para consulta, utilização e adaptação.
Sem pretender ser controversa e transformar a minha posição num fundamentalismo arcaico, o aparecimento destes novos recursos, assim como a generalidade de ferramentas da Web deixaria decerto Guttenberg em estado de incredulidade. Mas não me cabe, enquanto educadora, defender acerrimamente a manutenção e exclusividade do papel. Pelo contrário, a evidência está aí, à vista de todos, os recursos educacionais abertos devem ser encarados como uma nova revolução, dentro da tecnologia certamente, mas também como elementos complementares no nosso ensino tradicional que devemos abraçar. Não significa que com a utilização destes recursos os alunos deixem de frequentar bibliotecas ou manusear com apreço as páginas de papel de uma edição do “Memorial do Convento”, ou da enciclopédia Lello, significa sim que haverá mais que isso na próxima curva deste caminho. Inovação e tecnologia sempre existirão e de forma crescente e actualizada, a diferença é que já não precisamos de ajudar Blimunda e Baltasar apenas na construção da passarola, precisamos de ajudar na construção, adaptação e aplicação de novos recursos. 
A abordagem da Web providencia o potencial de combinar todos os tipos de canais através dos quais o conhecimento pode ser mudado e partilhado, desde o simples texto até às aplicações interactivas de multimédia, permitindo que os participantes desenvolvam um pensamento crítico e competências analíticas em como intervir nesses ambientes e como tirar vantagem da Web para as suas necessidades pessoais de aprendizagem (Brown e Adler, 2008; Weller e Meiszner, 2008).
No contexto dos recursos educacionais abertos adaptar é um verbo elucidativo daquilo que somos enquanto ser humanos e é o gesto do quotidiano de cada um. Enquanto professores adaptamos os materiais às nossas próprias realidades que passam por diferenças na população escolar, faixa etária, língua ou nacionalidade, em suma, diferenças por vezes abismais de uma turma para outra pela heterogeneidade que é inerente a cada um. Providenciar o tipo de educação que ensina sobre e para pessoas de diferentes costumes, crenças, valores é uma tarefa essencial da educação (TRINDADE; SANTOS, 1999). Pegando num exemplo concreto, no meu percurso profissional muitas vezes adapto materiais, e o exemplo mais cabal do verbo adaptar foi ao leccionar português enquanto língua estrangeira a uma turma de chineses, ou seja, do ramo sino-tibetano, tão oposto ao latim em termos linguísticos, e a uma outra turma de galegos. Os recursos usados nunca poderiam ser os mesmos e por isso tiveram de ser adaptados, neste contexto, conforme a proveniência geográfica dos meus alunos.


O sucesso das novas formas de ensino e dos recursos educacionais abertos tem sido crescente e pode verificar-se em inúmeros exemplos, como a criação da Wikipedia uma enciclopédia que cresce diariamente desde 2001, graças à partilha e contribuição de todos e que ultrapassa fronteiras, disponível em diversas línguas, e abarcando o conhecimento em todas as áreas. Ou os cursos que o MIT disponibilizou a partir de 2002, ou as importantes contribuições da UNESCO, da OECD, da William and Flora Hewlett Foundation e da Sun Microsystems. E se estivermos atentos vemos essa evolução diariamente, em novas formas tecnológicas. Ainda no passado mês de Setembro, a Coreia anunciou a sua estratégia para a educação online, tendo a intenção de implementar o sistema digital em todas as escolas do país até 2015, visando modernizar o sistema educacional e facilitar o acesso. Em Portugal vimos este mês o anúncio do governo em reduzir o número de turmas com ensino de português no estrangeiro, para a Federação Nacional de Educação (FNE), a solução para evitar o desemprego que daí advirá e a perda de qualidade no ensino de português no estrangeiro poderá passar pelo ensino à distância. Ora se a tecnologia está aí, o que temos é de a utilizar e aproveitar, e por ela passam os recursos que servem de tema a esta reflexão. A utilização destes permite democratizar o ensino (disponibilizando-os a quem interesse, independentemente da localização geográfica), uma redução de custos e o trabalho colaborativo entre professores e alunos que, consequentemente, levará a melhorias de um determinado recurso, seja ao nível da quantidade da informação, como da qualidade e da forma como esta se apresenta.


Os ganhos e as motivações para o envolvimento com a educação aberta variam dependendo da perspectiva ou do cenário de aplicação. Motivações para os estudantes se envolverem com a educação aberta podem ser de natureza extrínseca ou intrínseca (Meiszner, 2010). As motivações extrínsecas, como obter algum tipo de reconhecimento, estão talvez mais inerentes ao ensino formal, enquanto as intrínsecas, como o interesse num determinado objecto, relaciona-se com o lado da educação aberta.
A tendência é recorrer a formas de ensino informais, onde cada indivíduo toma parte no processo de construção do conhecimento, num espaço global aberto a todos. O que nos fará crescer enquanto seres sociais será assumir que o conhecimento é de todos e ele deve ser partilhado, combatendo o egoísmo latente. A paixão de ensinar é a paixão de aprender e vice-versa, daí advém a constante partilha de experiências e saberes fazendo destes momentos de aprendizagem uma cura para a alma Os egípcios definiam as bibliotecas como tesouros dos remédios da alma, hoje em dia esses tesouros atravessam as bibliotecas e recomeçam na Web, em redes digitais, fazendo desses espaços, em conjunto, o mítico El Dorado do conhecimento. 

 Referências:

Amiel, Tel; Orey, Michael e West, Richard. Recursos Educacionais Abertos (REA): modelos para localização e adaptação 

Gurell, Seth (autor) & Wiley, David (editor) (2008). OER Handbook for Educators 1.0. [http://wikieducator.org/OER_Handbook/educator_version_one]

Meiszner, Andreas. The Why and How of Open Education’. United Nations University | UNU-MERIT | CCG: The Netherlands

Weller, Martin (2010). Big and Little OER. In Open Ed 2010 Proceedings. Barcelona: UOC, OU, BYU. [http://hdl.handle.net/10609/4851]

Wiley, David (27-09-2011). On OER – Beyond Definitions. Iterating toward openness. [http://opencontent.org/blog/archives/2015].




Orientação sobre os Recursos Educacionais Abertos